Justiça para Dom e Bruno: Vítimas da Guerra Global Contra a Natureza

Dom Phillips e Bruno Pereira foram mortos por terem procurado e relatado a verdade. Suas vidas foram dedicadas a proteger os povos indígenas e a floresta amazônica da qual esses povos dependem. Nossa tristeza por essas atrocidades vai além das palavras, mas devemos transformar nossa dor e raiva em uma determinação mais forte para garantir a continuidade do trabalho de suas vidas.

Os povos indígenas e defensores do meio ambiente estão sendo ameaçados e mortos em todo o planeta, à medida que a perda da biodiversidade e as mudanças climáticas aumentam, as guerras por recursos tornam-se cada vez mais extremas e os madeireiros, mineradores, pecuaristas e pescadores ilegais são encorajados por líderes imprudentes como Jair Bolsonaro. Jonathan Watts, do The Guardian, disse em sua bela homenagem a Bruno Pereira e Dom Phillips:

“Estes não são casos isolados em lugares distantes. Quando conflitos assim se juntam em lugares como o Vale do Javari, ou em lugares como as Filipinas, o Congo, pode-se ver que há uma guerra global contra a natureza”.

Segundo a edição de 2020 do relatório “Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil” do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), os assassinatos de povos indígenas aumentaram 61% e os conflitos territoriais aumentaram 174% em comparação com o ano anterior. No entanto, o governo brasileiro ainda está tentando pressionar para a aprovação de uma série de leis que privariam os povos indígenas de seus direitos e abririam seus territórios para uma exploração ainda mais destrutiva dos recursos. Leis similares que promovem a expansão agressiva das indústrias extrativas estão sendo adotadas pelos governos de outros países da bacia amazônica, como o Peru e o Equador.

Organizações indígenas da região amazônica têm denunciado com veemência as invasões da Terra Indígena Vale do Javari por organizações criminosas, que se sentem apoiadas e capacitadas pela negligência e o ataque permanente aos direitos indígenas por parte do governo federal. Seus territórios possuem a maior concentração mundial de indígenas que vivem em isolamento voluntário. O que está se desenvolvendo no Vale do Javari está intrinsecamente ligado ao desmantelamento de políticas e órgãos públicos destinados a proteger os povos indígenas e seus territórios; como o enfraquecimento sistemático da Fundação Nacional do Índio FUNAI do Brasil, a própria agência para a qual Bruno Pereira trabalhou até ser demitido sob o regime Bolonaro em 2019. Bruno Pereira recebeu muitas ameaças por sua incansável busca por justiça para os povos indígenas. Por outro lado, Dom Phillips, relatava sobre as ameaças à floresta e seus também há muitos anos e estava trabalhando em um livro, porque sentiu a urgência de compartilhar com o mundo a importância de proteger a Amazônia da destruição.

Os editores do livro de Dom Phillips, previsto para ser lançado em abril de 2023, anunciaram que ele será publicado para garantir que seu trabalho não fosse em vão. A efusão de solidariedade e determinação de muitos para honrar o legado de Dom e Bruno é animadora diante de uma tragédia indescritível. Nosso trabalho não estará completo até que a guerra contra a natureza e os povos indígenas seja interrompida.

As famílias de Bruno e Dom precisam de ajuda agora, não apenas para pagar as contas, mas também para cobrir novos custos que surgem à medida que continuam sua busca por justiça.

Por favor, considere fazer uma doação aqui e compartilhe o link: https://gofund.me/d215cc53

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